A explosão no porto em Beirute, Líbano, foi ocasionada pelo armazenamento de cerca de 2.750 toneladas de nitrato de amônio (NH4NO3), substância química utilizada como fertilizante na agricultura e que também pode ser utilizada como explosivo, quando misturada com óleo adequado. Por isto no Brasil este produto químico é controlado pelo Exército, necessitando de autorização Militar (licença) para sua comercialização, fabricação e uso.

O nitrato de amônio não é um explosivo por si só. Ele se apresenta como um pó branco ou em grânulos solúveis em água e é seguro, desde que não seja aquecido ou entre em contato com alguma faísca. A partir de 210°C, se decompõe e, com o aumento da temperatura, para acima de 290°C, a reação pode se tornar extremamente explosiva.

A grande explosão (em Beirute) aconteceu pela grande quantidade armazenada de nitrato de amônio em condições não adequadas, conforme relatado pelas autoridades locais. Não se pode armazenar uma quantidade tão grande deste composto, em apenas um local e ainda por volta de 6 anos.

Provavelmente, não deve ter ocorrido explosão das 2.750 toneladas de uma só vez, pois ocorreu um incêndio onde estava armazenado o nitrato de amônio e com o aumento de temperatura houve a decomposição do composto, desencadeando diversas explosões. A coloração castanho avermelhada gerada na explosão é característica de compostos com nitrogênio em sua composição.

Além dos gases gerados na explosão, há uma expansão natural destes, que rapidamente produzem ondas de choque indo para todas as direções. Os gases liberados têm a mesma massa do nitrato de amônio, mas o volume pode ser mais de 10 mil vezes maior, sendo impossível impedir a força da explosão, pois o mecanismo ocorre rapidamente e em efeito dominó.

A explosão no porto em Beirute causou destruição em larga escala e quebrou vidros de janelas a quilômetros de distância. Alguns barcos que navegavam próximos à costa do Líbano chegaram a ser balançados pela força da explosão. As explosões chegaram a mais de 200 km da costa libanesa, sendo possível ser ouvidas em Larnaca, na ilha de Chipre.

Profa. Dra. Márcia Guekezian

Professora de Química Forense

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